“Vamos pra Beijing (ou Pequim: capital da China), Mari! Vou comprar passagem de trem. São 10 horas de viagem, e a gente pode ir sentada na poltrona ou deitada na cama (sim, alguns trens aqui tem camas!). Vamos nas camas pra ver como é isso aqui na China!”

“Mari, mei you! Não tem mais camas disponíveis, acabaram as passagens! Vamos ter que ir sentadas.”

E este “sentada na poltrona” significa sentada mesmo. Não tem nenhuma alavanca pra inclinar o encosto um pouquinho. E eles não apagam as luzes durante a viagem, o que significa que as 10 da noite ou as 3 da manhã tudo estava iluminadíssimo!
Resultado: não dá pra dormir! Eu literalmente passei a noite em claro e aí xinguei até a 10ª geração dos chineses que inventaram esse tipo de viagem. Não tem conforto nenhum, não faz sentido. É mais barato e só.

Chegamos em Beijing e fomos procurar o metrô pra ir pro hostel. Não achamos. Pegamos um taxi mesmo, tentamos explicar o endereço e sem saber se ele tinha entendido chegamos em algum lugar perto do lugar indicado.

“Ah vamos parar aqui pra tomar um café e perguntar pra onde devemos ir.”

Achamos! Bem lindo o hostel e arrumadinho o quarto que reservamos com 10 (dez!) camas.

Dia 1: Fomos almoçar no Subway e depois fomos conhecer a Praça Tianamen e a Cidade Proibida.

Foi nessa Praça que ocorreu o Massacre da Praça da Paz Celestial em 89, um protesto contra o governo chinês que foi reprimido pelo exército da China resultando em milhares de mortes.
A Praça é imensa (proporções chinesas). E ao norte da praça fica a famosa Cidade Proibida.

A Cidade Proibida foi o Palácio Imperial da China e era uma cidade mesmo, e era proibida também. Era uma cidade porque é considerada o maior palácio do mundo (720mil m²) e era proibida porque somente o imperador, sua família e empregados eram autorizados a entrar ali.

“A Cidade Proibida foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade em 1987, estando listado pela UNESCO como a maior coleção de antigas estruturas de madeira preservadas no mundo.”

Tudo isso significa que foram horas e horas de caminhada!

No hostel resolvemos: “Vamos tomar banho e descansar. Depois a gente desce lá pra área social do hostel e tenta fazer amizade com alguém pra gente sair amanhã.”
Não deu muito certo. Conhecemos pessoas que estavam indo embora no outro dia.

Dia 2: Fomos com uma excursão do hostel para a tão esperada Muralha da China!
“Mari, não vou de escada, vou subir e descer de bondinho, meu joelho tá doendo ainda!”
Foi aí que nos separamos e eu só fui encontrar ela de novo na hora de ir embora.
Fui, tirei foto e andei na muralha. Mas não andei muito, tinha muita escada e cada degrau é um verdadeiro obstáculo pra um joelho podre.
Andei devagar e fui pedindo pra desconhecidos tirarem fotos minhas. “Eu estou na Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo!! Preciso de fotos pra registrar!!”

Nesse passeio fizemos amizade e combinamos de ir a noite no lugar-que-vende-insetos pra gente experimentar e depois ir em algum bar.
O lugar (mercado que vende insetos) é turístico, e vende os espetinhos de inseto para os turistas comerem e tirarem fotos.
Como uma boa turista, comi e tirei foto!


Os insetos são fritos na hora e o gosto é de óleo sujo. E eu estava com mais medo do que aquele óleo poderia fazer no meu sistema digestivo, do que daquele inofensivo escorpião.
As opções eram variadas, mas só comi escorpião (o pequeno e o grande) e uma centopéia. A aranha custava 50 Yuan, não comi porque achei caro (ahammm!)!

Depois da aventura gastronômica fomos pra um barzinho. E depois fomos conhecer algumas baladas, e como não paga pra entrar entramos em uma que não estava muito boa, saímos e entramos em outra que tinha até barra de pole dance. Detalhe: com chineses dançando. Foi uma piada!

Dia 3: Fomos com nossa amiga-loira visitar a área construída para as Olimpíadas de Beijing em 2008. Visitamos o estádio Bird Nest e o Water Cube e cheguei a conclusão que o Brasil não deve surpreender como os chineses surpreenderam. O lugar é realmente lindo, limpo e bem cuidado. Bem diferente da China em Hefei (minha cidade).

Demoramos muito nesse lugar e quando resolvemos ir visitar o Temple of Heaven e almoçar, descobrimos que já estava tarde, o lugar já tinha fechado e a maioria dos restaurantes já não estavam servindo almoço às 4:30 da tarde.
Mas achamos um, cheio de escadas (porque esse dia estávamos escolhendo os lugares com menos escadas possíveis. Eu parecia uma velha: sempre ficava pra trás, andava mancando, descia um degrau de cada vez).
Comemos nesse restaurante o famoso e delicioso Pato de Beijing!

Voltamos pro Hostel pra pegar as malas e já fomos pra estação de trem, lotada!
E agora vem a pior parte da viagem. Eu nunca tinha visto/estado em um meio de transporte tão lotado como esse trem e eu prometi que nunca mais viajaria naquelas condições.

Na China tem muita gente, vocês sabem. Então as vezes não tem poltronas suficientes para o tanto de pessoas que querem viajar. Então eles vendem passagem pra viajar em pé, mesmo se a viagem é de 10, 12 ou 24 horas. Até ai tudo bem, eu entendo.

Mas qual é o limite? Não sei, não tem! Viajei 10 horas sentada, a noite toda, com a luz acessa, o joelho doendo, e com dificudade de movimentar os pés por causa do tanto de gente que estava em pé no corredor entre as poltronas.

Era impossível andar! Confesso que comecei a chorar de desespero. Depois xinguei até a última geração de chineses que permitem uma coisa dessa.

É desumano, tinha velhinho sem lugar pra sentar, criança chorando, pessoas espremidas mas ninguem gritando ou revoltado com aquela situação. É difícil entender!

Peguei a foto na internet. Mas foram 10 horas disso aí!


Pra completar, de manhã um chinês veio treinar o inglês dele comigo!

Pensei: “Amigo, seu inglês não é bom, eu não dormi, esse lugar está muito cheio de gente, você não escovou os dentes ainda e geralmente meu humor não é dos melhores essa hora da manhã!”

Respondi algumas perguntas que ele fez com cara de sono, coloquei o fone de ouvido, abracei a mochila e dei a entender que iria dormir.

Eu devia ter muitos pecados pra pagar! Tá pago! E fiquei com crédito!

Mas fora isso a viagem foi excelente!