É assim que eu ando me sentindo, numa montanha-russa: um dia bem, outro dia achando tudo péssimo.

Minhas vontades variam (contraditoriamente) assim:
1- Quero voltar pro Brasil e quero ficar na China.
2- Quero voltar pro Brasil e não quero ficar na China.
3- Não quero voltar pro Brasil e quero ficar na China.
4- Não quero voltar pro Brasil e não quero ficar na China.

Uma bagunça total. Aí resolvi procurar sobre o tal gráfico que tanto ouvi falar: o gráfico da adaptação cultural.

Kalervo Oberg (1960) estudou sobre as reações humanas quando confrontadas a costumes e a um ambiente diferente do seu de origem e ele descobriu que a maioria dos seres humanos se comporta da mesma maneira, passando por fases de altos e baixos. Depois dele muitos outros pesquisadores estudaram sobre o assunto também. Esse é um processo individual e natural em um intercâmbio.

E o resumo é que geralmente as pessoas passam por 4 fases.
1- Lua-de-mel
2- Hostilidade/Choque cultural
3- Restabelecimento
4- Ajuste

E vai seguir as seguintes características (claro que cada pessoa pode ter uma experiência diferente, mas no geral, é isso ai que acontece):

1.
No começo tudo é muito emocionante, exótico e fascinante! (Lembro dessa época, quando eu achava que estava dentro de um vídeo game quando via todos aqueles prédios com luzes). Nessa fase todo mundo é bom para você e qualquer tipo de erro está permitido, já que você é um estrangeiro. A fase de euforia inicial pode ser mais ou menos longa de acordo com a diferença entre a realidade que você encontra e o que você esperava encontrar (Como eu não esperava muita coisa, essa minha fase durou mais de um mês).

2.
Depois de algum tempo você vai descobrir que existe rotina em sua vida diária.
Você se acostuma com as cenas da rua em torno de você e você sabe com quem vai cruzar no trabalho ou em seu tempo livre.
Seus colegas também não são tão compreensivos quanto antes.
Você já conhece o lugar, mas não o suficiente para ter amigos ou se sentir em casa.
Você vê uma série de comportamentos que são inaceitáveis, ou no mínimo estranho para você.
Você sente necessidade de explicar e defender-se muitas vezes (o que é muito cansativo) e você se sente confuso pela maneira como as pessoas se comunicam e agem em torno de você.

A experiência desta fase depende de muitos fatores, tais como o quanto a cultura diferente da sua, a sua capacidade de se expressar na língua da região e o quanto as pessoas que está convivendo sabem sobre a sua própria cultura. (A cultura é super diferente, eu não falo a língua deles e eles não sabem quase nada do Brasil. É, foi uma fase intensa!)

Você vai perceber que você está em “choque cultural” quando começa a se sentir facilmente frustrado, você irá reagir e se comportar de uma maneira defensiva.
Você facilmente vai ter a impressão de que todos os seus problemas estão ligados ao fato de que você está no exterior. (E não estão??)
O processo de adaptação a uma cultura estrangeira exige uma grande quantidade de energia a partir de você. (Nem sempre ela está presente…)

3 e 4.
Após a fase de choque cultural você vai entrar numa fase de aculturação e de estabilidade. Você vai conhecer e compreender mais os mecanismos subjacentes que influenciam o comportamento das pessoas ao seu redor, você vai começar a ser capaz de ver as coisas através de seus olhos.

Isso não significa necessariamente que você concorde com tudo o que fazem ou que você mude o seu estilo próprio de fazer as coisas completamente.

Você vai aceitar alguns costumes novos que você experimentou nessa nova cultura, e vai manter outros de sua própria cultura.
Você vai discordar com algumas maneiras de viver essa experiência, mas vai procurar entender por que eles desenvolveram aquela forma de fazer.

Exatamente o que passei!! E vocês podem comprovar aqui nos posts do blog!!

Em qual fase que eu estou?
Entre o choque cultural e a estabilidade. Tem dia que vivo os dias de choque cultural, e sou rude com algumas pessoas, mas as vezes estou tranquila e aceito as diferenças apenas como diferenças. As vezes querendo voltar para o Brasil, e as vezes não.
No gráfico eu estou ali, decidindo se sigo a linha azul, amarela ou rosa.

Alguns autores sugerem um outro tipo de gráfico, ao invés da curva em U, o gráfico é em formato de um W.


E nesse gráfico eles consideram a volta para casa. Dizem que é outro choque: primeiro a pessoa se sente feliz por ter voltado pra casa, depois se sente frustrada, e sozinha porque os amigos e familiares não entendem todas as mudanças que aconteceram, mas gradualmente a pessoa vai se readaptando a nova rotina novamente, e por fim a pessoa incorpora a nova vida o que aprendeu durante o intercâmbio.

Ai, agora já fico pensando em como será quando eu voltar, mas como a família e os amigos acompanharam muita coisa pelo blog, eles vão me entender sim! Bom, na verdade eu não sei, mas conto aqui depois!

Agora, nos meus dias de mau humor, não preciso colocar a culpa só na TPM!