Eu não fico só viajando e comendo! Durante a semana eu trabalho das 8:30 as 18:00.
Então pra você que tá achando tudo muito legal e divertido, vou contar a parte menos divertida dessa viagem.

Estou trabalhando em uma empresa que compra produtos químicos (aditivos de alimentos, farmacêuticos, intermediários) das fábricas da China e exporta pra outros países.
Eles querem expandir e começar a vender para o Brasil, e eu sou responsável por isso.

Mas eu vim pra empresa sem saber quase nada sobre comércio exterior ou produtos químicos. Resultado: eu tive que aprender tudo sozinha.
Estudei sobre comércio internacional: todas as siglas, o significado e as regras de cada uma, documentos necessários e suas siglas, custos, tarifas, impostos e preços.
Estudei sobre produtos químicos: nomenclatura e estrutura dos elementos químicos, química orgânica básica (hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, cetonas, ácidos), utilização e riscos específicos dos produtos.

Depois fui aprender mais e me familiarizar com os produtos que vendemos, e assim pude pesquisar empresas brasileiras que poderiam interessar no que exportamos.

Ainda não sei tudo que preciso saber, mas já aprendi muita coisa (inclusive ser autodidata)!!

De vez em quando faço viagens com meu chefe para visitar algumas fábricas, e essas viagens são sempre interessantes porque posso ver de perto os produtos que vendemos, além de saber de quais empresas compramos. Conhecer as fábricas faz com que o trabalho se torne mais real.

Geralmente as quintas temos reunião geral da empresa: todo mundo se reúne pra falar do que aconteceu durante a semana. A reunião dura umas 2 horas e a maioria das pessoas fala em chinês e eu não entendo nada. Na reunião da semana passada foi determinado que todo dia, todo mundo deve conversar comigo sobre alguma coisa (pra eles treinarem o inglês e se aproximarem de mim), além disso todo dia eu devo aprender uma palavra em mandarim.
Mas isso não deu certo: 1- não é todo dia que todo mundo tem algo pra falar comigo; 2- a maioria das pessoas deixava pra falar comigo no fim da tarde (quando eu estava quase indo embora); 3- ser obrigado a conversar com alguém acaba com a parte interesse dos diálogos: a espontaneidade.
Ainda não sei se isso vai continuar ou não, mas eu espero que as regras mudem!

Eu gostaria de aproveitar muito mais a China: as cidades, os lugares, as comidas, as pessoas, mas não posso. Assim como a maioria de vocês, passo a maior parte do tempo na mesma rotina, dentro de uma sala, na frente de um computador. Mas tudo bem, eu já sabia que seria assim e estou gostando muito de ter essa oportunidade!

Tantas coisas já aconteceram que é difícil acreditar que não passou nem dois meses ainda. Acho que todo jovem merece fazer um intercâmbio, porque nesse outro mundo aqui, tudo acontece mais rápido e com maior intensidade. Trabalhar em outro país é escolher o caminho mais difícil, porém o mais curto para se desenvolver!