Em Uberlândia, conheci o Roberto, que também faz parte da AIESEC e também queria muito conhecer a China.
Nós dois conseguimos o intercâmbio aqui na China, mas em cidades diferentes e distantes.

O que ele já viveu aqui em menos de um mês, não é exatamente igual ao que eu vivi. Por isso tive a ideia de trazer pra vocês a visão de outro brasileiro que veio trabalhar aqui.

Um depoimento masculino, mais realista e com um pouco menos de sorte.

“Ni hao! Wo shi Roberto!! Wo bu hui shuo zhongwen! (Olá, meu nome é Roberto e eu não sei falar mandarim!)

Bom, depois de 16 meses sonhando em morar na China, cheguei aqui no dia 7 de Abril.

Vim como trainee da AIESEC (Uberlândia), estou trabalhando como assistente de marketing internacional para uma empresa de agroquímicos, aqui em Shenzhen, Província de Guangdong.

A cidade fica ao lado de Hong Kong, foi a 1ª Zona Econômica Especial da China, o que possibilitou o seu desenvolvimento de hoje.

Minha vinda foi muito rápida, eu planejava chegar aqui em Junho/Julho, mas consegui a vaga da empresa e eu tinha que comecar a trabalhar já no dia 12 de Abril. Eu tinha apenas 1 mês pra parar minha vida no Brasil e chegar na China. Fui para São Paulo, depois Paris e depois cheguei em Guangzhou. Estava chuvendo muito e não havia ninguem da AIESEC local para me receber, fui ao McDonalds, tinha frango frito (rocks).

Peguei um ônibus estilo chinês (formigueiro de pessoas) e fui parar em uma ilha dentro de Guangzhou, era onde os membros da AIESEC estudam e moram. Foi punk a chegada, chuva, ruas escuras e umas lanternas vermelhas, muuuuita sujeira, lama.. enfim, cheguei a um hotel onde me hospedei por 2 dias. Durante esses 2 dias eu me dei conta que estava na China, não havia chuveiros como no ocidente, não há vaso sanitário, apenas um buraco no chão. Eu estava há 2 dias sem tomar banho por causa da viagem até aqui, quando cheguei me esqueci como falava desodorante em inglês, meu dicionário não me ajudava e aqui ninguem usa (segundo eles), fiz a moça da loja entender com gestos, enfim comprei o desodorante.

As pessoas comem muito, no meu primeiro café da manha eu praticamente almocei (8:30), realmente comem muito e a refeicão é algo importante para eles.

Na sexta-feira peguei vim para Shenzhen em um trem. A cidade e realmente linda, enorme, limpa, toda a parte visivel da China e extremamente limpa. Durante a primeira semana os chineses são super legais (estou brincando, alguns permenacem legais), atenciosos, prestativos. As casas chinesas são complicadas, parte difícil de viver aqui. São sujas, escuras, paredes escuras e sujas, chão escuro, não há vaidade (me disseram que é porque aqui elas tem vida útil curta/ modernização). Estou morando temporariamente com 2 chineses da empresa.

Eu estava preparado para muita coisa na China quando estava no Brasil, ou pensava que estava preparado. O choque cultural é evidente, não adianta, acontece e acontece com força. As pessoas cospem, escarram, empurram… A comida é complicada nos primeiros dias até você se dar conta que vai ser assim até voltar ao Brasil. Chá de jasmin, sopa, chá de novo, macarrão, arroz, chá de novo, carnes complicadas.

É extremamente raro encontrar alguém que fala inglês e quando encontra um chinês que fala é assim: Vord = word Horse = House… hehe. Porém existem chineses que falam super bem, apesar que meu inglês no Brasil não estava aquelas coisas. Aqui nessa província são 3 dialetos e mais o mandarim, ou seja, você não aprenderá mandarim ouvindo a galera na rua!

Tudo aqui é muito barato, o aluguel é super caro, ônibus e metrô são R$ 0,50.

Morar na China está sendo complicado, viver a China morando no Brasil era mais tranquilo. Viver a vida chinesa realmente não é para qualquer um. O pensamento deles, o estilo de vida, tudo é bem diferente do brasileiro. Porém, aqui é um lugar bacana.

Ontem os chineses que moram comigo se juntaram para dizer que estavam cansados e que não queriam fazer nada, tive que andar por Shenzhen sozinho a procura de comida. Não estou na área central então não se encontra estrangeiros. Foi um perrengue comprar macarrão que estava sendo feito na rua. Muito difícil mesmo, mas eu sei os números em mandarim, então já ajuda um pouco. Eu faço o sinal de “dindin” e yuan yuan? Aí eles me respondem… quando não aumentam o preço por saberem que sou gringo.

Fui a uma boate chinesa, TOP, muito show. Na rua não se encontra chinesa bonita, mas nessa boate a coisa mudou. Cerveja a R$ 4,00, peixe picado no palitinho e melancia ficam na mesa, SIM, eles comeram isso na festa.

Escovação aqui é diferente também, talvez no máximo 2 vezes ao dia, SEM CHANCE de escovação depois do almoço, depois do almoço e hora de tirar uma soneca (30 mins), tem funcionário que deita no colchão e dorme. Eu uso o orkut hehehe.

Enfim, está sendo uma experiência única, difícil e boa de se ter. A solidão e a saudade do Brasil comeceu a bater, e bater forte. Quando me diziam que o Brasil era o melhor país do mundo eu não entendia, mas do outro lado do mundo, a coisa muda. O Brasil é o melhor lugar do mundo.

Fiquem com Deus.

Zai jian BAXI! (Até logo Brasil!)”