A semana foi cheia de novas descobertas! Sair da cama é literalmente sair da ‘zona de conforto’!

Primeiro porque andar 25 minutos num vento frio de uns 5*C, falando inglês e aprendendo mandarim não é nada confortável!

Como não encontrei ainda uma escola de idiomas que ensina mandarim e que tenha alguma turma depois das 18 horas, ultimamente quem me ensina mandarim é a Sophie. Ela é uma boa professora, vai me ensinando no caminho entre a casa e o trabalho (na ida e na volta) e além disso, alguns dias tenho aula depois que chego em casa também.

Quer saber? Já tá ficando chato! Eu sei que é importante, que eu devo aprender o idioma, que ela está sendo gentil em ficar me ensinando… mas às vezes eu não to afim de aprender. Às vezes quero acordar e só ficar calada, sem conversar. Às vezes quero conversar de coisas mais legais e interessantes. Às vezes to com muito sono e só quero tomar banho e dormir. Às vezes só quero comer minha refeição e ficar satisfeita. A cabeça cansa de aprender o dia todo.

Não falar mandarim tem o lado positivo e o negativo.
O positivo é que as informações chegam filtradas pra mim, tudo vem resumido, as pessoas só me falam aquilo que eu realmente devo saber e isso economiza muito tempo.
Por outro lado não sei comprar as coisas, não entendo o que tá escrito nos lugares, não entendo o que as pessoas falam nas discussões cotidianas da empresa ou fora dela, não sei falar para o motorista do táxi aonde quero ir, não sei escolher minhas refeições olhando no cardápio, não acho graça das piadinhas que eles fazem entre si, não posso entrar em nenhum assunto sem parecer intrometida (porque sempre vou ter que perguntar: “O que vocês estão falando?”). São sensações que só um surdo-mudo (ou quem já passou por isso) pode entender.
É, tem muito mais pontos negativos… é melhor eu valorizar mais minhas aulas!

Também ensino português pra minha professora de mandarim. Ela fala a palavra em inglês, depois traduz pra mandarim, eu repito em mandarim, depois traduzo pra português e ela repete. É bem divertido ouvir ela falar Gabriela Brito, porque nunca sai certo (e acho que nunca vai sair porque eles não tem esse som e não aprenderam a pronunciar)! Ela sempre fala Gabliela Blito e eu fico rindo!!

O clima aqui está frio e às vezes chove. E eu, uma uberlandense que vive a maioria dos dias com sol e calor, acho chato esse tempo e desejo todos os dias que fique mais quente! Eu sou muito mais feliz nos dias de sol!
O céu daqui nao é igual o céu de Uberlândia: não tem nuvens gordinhas, não tem o céu bem azul, não tem estrelas a noite e não tem um sol bem definido. O céu aqui parece que fica mais distante da terra, é mais fosco, com uma neblina constante e sem nuvens. Vou tentar tirar uma foto boa pra exemplificar.

Em uma das minhas conversas com a Sophie, falamos sobre descanso de funcionários. Ela me disse que aqui eles tem os feriados prolongados para descansar (como o Ano Novo), e além disso tem 5 dias de descanso!! Eu falei que no Brasil era diferente, que temos vários feriados e ainda temos um período de 30 dias, um mês de férias depois de um ano de trabalho. Imaginem a cara de assustada que ela fez!
Depois disso ela contou pra todo mundo que ela encontrou sobre esse benefício que temos, e acho que depois disso ela ficou mais empolgada em conhecer o Brasil. Diz ela que nós sabemos aproveitar a vida.
E eu fiquei pensando, porque temos tantos dias de férias?? Um mês inteiro pra ficar sem fazer nada!! É muito tempo a toa!! Ahhh mas a gente merece sim, temos que descansar, conhecer outras cidades, viajar, aproveitar a vida que existe além do trabalho! Ainda bem que nasci brasileira.

Em outra conversa com as meninas da empresa, contei que eu não precisava fazer comida, arrumar o quarto, lavar minhas roupas, limpar a casa… e elas me olharam com cara de surpresa!! Eu disse que isso é bem comum no Brasil, mas parece que isso não é normal por aqui. Acho que só as pessoas mais ricas tem funcionárias domésticas. Por isso gente, valorize a ‘Ritinha’ que trabalha na sua casa!

Eu sempre fico feliz quando encontro alguma coisa que já conheço (isso não é muito frequente). Nas minhas observações sobre carros, vi muitas marcas iguais: Audi, Hyundai, Ford, Peugeot, Volkswagen, Toyota, Kia. Vi até o carro da minha mãe! (Essa informação parece bem irrelevante, mas eu não sabia disso e acho que nem todo mundo sabe, por isso estou contando!)

Quando contei pra Sophie sobre a violência no Brasil, sobre as favelas, sobre não andar sozinho a noite em lugares com poucas pessoas, sobre as armas que praticamente qualquer pessoa pode conseguir, ela ficou assustada! Aqui não tem armas, ninguém pode ter. Acho que só alguns policias andam armados. Aqui é bem seguro andar a pé a noite e eu acreditei quando ela me disse, mas morri de medo quando a gente tava voltando bem tarde pra casa e um carro parou do nosso lado (ele só queria estacionar). Depois dessas informações sobre violência ela desempolgou em visitar o Brasil, com razão.

Por fim, também queria dizer que aqui no blog eu falo das minhas experiências em um determinado espaço e um determinado tempo. Falo de Hefei (e das cidades que eu visito), no primeiro semestre de 2010. Não quero generalizar nada e não quero que vocês generalizem também. A China é muito grande, possui muitas diferenças entre províncias (estados), e está crescendo muito com o passar do tempo. Por isso, o que eu disser aqui, pode ou não ser aplicado em outras regiões da China. Eu falo do que vejo e sinto, e só.
Se outras pessoas que também tiveram experiências na China quiserem comentar e compartilhar suas experiências, eu vou ficar muito feliz! Será enriquecedor!